Retinoblastoma: Cristo Redentor tem as luzes apagadas por 30 minutos no dia 18 de setembro em ação da TUCCA pelo diagnóstico precoce

Monumento ao Cristo Redentor apagado em conscientização pelo retinoblastoma (foto: Santuário Cristo Redentor)

No dia 18 de setembro, o monumento ao Cristo Redentor teve sua iluminação completamente apagada como parte de uma ação promovida pela TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) para chamar a atenção para o retinoblastoma, tipo raro de câncer ocular que acomete principalmente crianças pequenas. A iniciativa ocorreu no Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma e buscou reforçar uma mensagem central: identificar a doença cedo pode aumentar as chances de cura e de preservação da visão. 

O retinoblastoma é um tumor maligno que se desenvolve na retina, parte interna do olho responsável pela visão. É o câncer intraocular mais comum da infância e, quando identificado precocemente, pode chegar a 90% de chance de cura, muitas vezes com preservação da visão. 

No Brasil, são estimados cerca de 400 novos casos por ano, e aproximadamente 90% dos diagnósticos acontecem antes dos 5 anos de idade, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Como a doença costuma surgir nos primeiros anos de vida, a criança muitas vezes ainda não consegue relatar alterações na visão. Um dos principais sinais é a leucocoria, o chamado reflexo branco na pupila, que pode ser percebido, inclusive, em fotografias com flash. 

Quando o olhar dá o primeiro sinal 

Na casuística de 260 crianças acompanhadas pelo Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, entre 2001 e 2018, a leucocoria foi o sinal mais frequente, observado em 75,4% dos casos. O estrabismo e alterações na aparência dos olhos também podem estar presentes. 

A mesma pesquisa mostrou o impacto do tempo até o diagnóstico: um intervalo de 2,5 meses ou mais entre o primeiro sinal e o diagnóstico esteve associado a mais que o dobro da chance de a doença já ter se espalhado para fora do olho. 

“Não podemos transformar o atraso no diagnóstico em uma responsabilidade da família. Muitas vezes, os pais percebem que há algo diferente, mas encontram uma sequência de barreiras até chegar ao diagnóstico correto. O que precisamos discutir é como reduzir esse tempo e fazer com que toda criança, independentemente de onde nasceu ou de onde mora, tenha acesso rapidamente a um centro preparado para diagnosticar e tratar o retinoblastoma, preservando não apenas a visão, mas, sobretudo, a vida do paciente”, afirmou o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA. 

Uma campanha que começou há 25 anos e continua atual 

A atuação da TUCCA na conscientização sobre o retinoblastoma começou no início dos anos 2000, marcando o pioneirismo da instituição em campanhas de conscientização sobre a doença, com o objetivo de alertar pais e responsáveis para um dos principais sinais do retinoblastoma, o reflexo branco na pupila. 

Mais de duas décadas depois, a instituição manteve essa mobilização por meio da campanha “Olhinho diferente, pediatra urgente”, que chamou a atenção para os sinais que podem indicar a doença e reforçou a importância de procurar um pediatra diante de qualquer alteração nos olhos da criança. 

A campanha partiu de um alerta simples: olhos diferentes merecem atenção. Entre os sinais que podem aparecer estão o reflexo branco na pupila, percebido muitas vezes em fotografias com flash, e o estrabismo. A orientação é que qualquer alteração seja avaliada por um profissional de saúde. 

Em 2026, a campanha ganhou uma ação especial no Rio de Janeiro, justamente na data que passou a integrar o calendário nacional de conscientização sobre a doença. Além de levar informação sobre o retinoblastoma, a programação reuniu arte e mobilização social e teve como um de seus momentos simbólicos o desligamento das luzes do Cristo Redentor por 30 minutos. 

TUCCA promove encontro em Santa Teresa 

Na sexta-feira, 18 de setembro, a TUCCA realizou, no Pavilhão Santa Teresa, no Rio de Janeiro, um encontro que marcou a chegada do Arte pela Cura à cidade e integrou a mobilização da instituição pelo Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma. 

A programação teve início com uma visita à exposição “A Arte Existe Porque a Vida Não Basta”, que reuniu fotografias de pacientes atendidos pela TUCCA. Na sequência, foi apresentada a atuação da instituição, seu modelo de atendimento em parceria com o Santa Marcelina Saúde e os resultados alcançados ao longo dessa trajetória — entre eles, a taxa de 92% de cura dos pacientes com retinoblastoma atendidos pelo Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde. 

“Falar sobre retinoblastoma é, antes de tudo, falar sobre tempo. Quanto mais cedo a doença é reconhecida e a criança chega a um serviço especializado, maiores são as possibilidades de preservar o olho e, principalmente, a vida. Por isso, levar essa informação para diferentes públicos e espaços é parte fundamental do nosso trabalho de conscientização”, afirma Sidnei Epelman. 

Como parte da mobilização, em parceria com o Santuário Cristo Redentor, o monumento ao Cristo Redentor teve sua iluminação desligada entre 20h30 e 21h. A ação simbólica fez referência à perda da visão que pode ocorrer quando o retinoblastoma não é identificado e tratado a tempo. 

A iniciativa integrou a campanha da TUCCA, que buscou ampliar o reconhecimento dos sinais do retinoblastoma e estimular a busca por avaliação médica diante de alterações nos olhos da criança. 

TUCCA se torna “Amiga do Redentor” 

A TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é a mais nova “Amiga do Redentor”, plataforma de impacto social gerida pelo Consórcio Cristo Sustentável, formado pelo Santuário Cristo Redentor, pela Obra Social Leste Um - O Sol e pelo Instituto Redemptor. Os “Amigos do Redentor” são pessoas e instituições que ajudam os projetos sociais, culturais e ambientais do Consórcio, reunindo capacitação profissional, geração de oportunidades e mobilização solidária ao longo do ano.