Iluminação de monumentos em verde mobiliza cidades brasileiras pela conscientização sobre doença rara

Durante o mês de março, diversos pontos emblemáticos de cidades brasileiras estão sendo iluminados na cor verde como forma de chamar a atenção da sociedade para a Neuromielite Óptica (NMO), também conhecida como NMOSD (Distúrbios do Espectro da Neuromielite Óptica). A iniciativa integra as ações do Março Verde, movimento dedicado à conscientização sobre a doença rara, autoimune e potencialmente incapacitante, que pode causar cegueira e paralisia.

Entre os locais que estão recebendo a iluminação especial neste ano estão o Congresso Nacional, nos dias 23 e 24 de março; a Câmara Municipal de Niterói e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro; a Ponte Estaiada e a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, entre os dias 25 e 28; a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nos dias 26 e 27; o Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, no dia 27 de março; a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis; e o Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, no dia 12 de março.

A mobilização reforça uma tradição que vem ganhando força nos últimos anos. Em edições anteriores do Março Verde, monumentos como o Cristo Redentor, o Edifício Matarazzo, o Viaduto do Chá, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALEMG), a Câmara Municipal de Belo Horizonte e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói também participaram da campanha, ampliando a visibilidade para a causa em diferentes regiões do país.

A ação simbólica antecede o dia 27 de março, data instituída no Brasil como o Dia Nacional de Conscientização da NMO. A NMO Brasil — Associação Brasileira de Pacientes de Neuromielite Óptica e Doenças do seu Espectro — também lidera um movimento para que a data seja reconhecida globalmente como o Dia Mundial de Conscientização da NMOSD, fortalecendo a mobilização internacional em torno da doença.

Apesar de rara, a Neuromielite Óptica pode ter consequências devastadoras. A doença afeta o sistema nervoso central e pode provocar surtos que levam à perda de visão, paralisia e outras sequelas neurológicas irreversíveis. No Brasil, estima-se que a NMOSD atinja entre 0,4 e 4,5 pessoas a cada 100 mil habitantes.

“Detectar a doença o quanto antes é crucial, uma vez que cada surto pode gerar consequências permanentes. A intervenção adequada, no momento oportuno, é determinante para preservar funções neurológicas e garantir melhor qualidade de vida”, afirma Daniele Americano, advogada, ativista e presidente da NMO Brasil.

Além da conscientização, o movimento também chama atenção para os desafios enfrentados pelos pacientes, especialmente no acesso ao tratamento. Atualmente, existem medicamentos aprovados no país, mas ainda não disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), o que faz com que muitos pacientes precisem recorrer à Justiça para garantir o direito à terapia adequada.

Mais do que um gesto simbólico, a iluminação em verde representa um alerta para a importância da informação, do diagnóstico precoce e da construção de políticas públicas que garantam qualidade de vida às pessoas que convivem com a doença.

Sobre a NMO Brasil – Associação Brasileira de Pacientes de Neuromielite Óptica e Doenças do seu Espectro

Fundada em 2014 por pacientes, a NMO Brasil é uma referência para pacientes, profissionais de saúde e para a sociedade, além de nortear o Março Verde no Brasil e integrar a mobilização global em relação à Neuromielite Óptica. A entidade atua na conscientização da sociedade, no apoio a pacientes e familiares e na articulação por políticas públicas e acesso a tratamento, sendo referência no Brasil na mobilização em torno do Março Verde e do Dia Mundial da NMOSD.